Você sabe o que um PAM faz quando um mamífero marinho é detectado durante a atividade sísmica?
Os disparos de ar comprimido executados pelo equipamento sísmico, podem causar danos acústicos aos mamíferos marinhos.
No Brasil, quando um animal é detectado a menos de mil metros de distância das fontes sísmicas (área de exclusão), o operador PAM, solicita o desligamento das mesmas. Ao fim da detecção, o operador PAM inicia a varredura, que consiste num monitoramento de 30 minutos sem a presença de cetáceos na área de exclusão para que as fontes possam ser reiniciadas. Caso o animal retorne durante esse período, essa varredura deve ser cancelada e posteriormente reiniciada.
Como formadora de operadores PAM, a Biosonar tem extrema preocupação com a qualidade desse monitoramento e pensando nisso participamos da coorientação de um projeto de Conclusão de curso “Revisão de detecções acústicas de delfinídeos em projetos de prospecção sísmica: subsídios para a fiscalização ambiental” em Oceanografia na Universidade Federal de Santa Catarina. Nesse projeto foram analisados os arquivos de áudio dessas varreduras, indicando a presença ou ausência de golfinhos durante esses 30 minutos (a presença de sinais acústicos desses animais indicaria uma não conformidade).
A análise foi feita através dos dados cedidos pelo IBAMA.
A partir das detecções e horários de desligamento das fontes sísmicas indicadas nas planilhas pelos três projetos, foram revisadas 241 varreduras, em que 51 apresentaram emissões sonoras de delfinídeos. As empresas A, B e C realizaram, respectivamente, 50, 91 e 100 varreduras. Dos registros acústicos da empresa A, 12 apresentaram esses sinais sonoros. Na B, 36 e na C, 3 continham vocalizações.
Tendo em vista esses resultados, mais uma vez ressaltamos a importância não só da atenção durante o trabalho como operadores PAM, mas também de uma boa formação em relação ao Pamguard, suporte efetivo entre equipe de consultores ambientais e escritório e auditorias dos materiais entregues.